dimanche 11 juillet 2010

Tempo



O que é o tempo? O que é o dia? O que é uma noite, afinal? Um curto intervalo subjetivo de vida, às vezes com a escuridão desvanecendo cedo e rápido, junto ao cantar dum galo, o chirear de um pássaro ou o verde desmaiado avivando-se como uma folha na primavera.

Mas uma noite sucede outra, um dia sucede outro, até que o inverno encerre-as em quantidade e as distribui quase equanimemente com seus dedos infatigáveis. Elas se prolongam, escurecem, assombram ou descansam. Discos e ciscos de claridade, luzes da cidade lembram estrelas, límpidos planetas, cometas, o esplendor do desejo de flagrar uma estrela cadente. 

Os restos de folhagem do outono parecem bandeiras em frangalhos que rebrilham conforme os enfeites luzentes de uma catedral, onde as letras de ouro no mármore lembram os heróis mortos em batalhas. 

A luz da lua abranda a fatiga do cotidiano, suaviza o restolho e guia os trabalhadores cansados de volta a sua casa.

mardi 8 juin 2010

Dialética entre amigos que se entendem... ou não ;P




Tαnια: Ante a tímida gente que vive na paz caseira, ergue-se um halo de
incêndio de mil olhos. Ó meu derradeiro grito! Dize aos séculos futuros
pelo menos isto: Que eu estou em chamas.

ミシェル さん: Essa vasta vida que me incendeia queima peito, destroça teia.
Mas se por mim permea sangue e frieza, sei quanto dói sair à meia.
Tanta gente quer este fio líquido carmesim de mim... Por que não
só se acheguem e queiram uma solene história de princípio ao fim...

Destas historietas que se contam por ali passar um tempinho difícil.
História esta que marca alguns, outros esquecem, outros ainda choram
ou se alegram com as várias personagens que se entrelaçam no decorrer da prosa.
Não queria repetir o sentido, mas senti, então o nó ficou caprichado, como
uma frase que pensei outrora e ia postar no orkut pra saber se alguem leria
...pra saber...

Era assim, oh: "Toda simplicidade não é tudo e toda complexidade não é nada".

Só pra ironizar a vida regrada que os humanos fingem que adotam por mera
identidade ideológica nas comunidades caladas geradas aqui, no orkut.


Tαnια: Cômoda fragilidade fria do bem-estar no depender. Alívio do esforço evitado, nem é preciso tentar ser. Empuxa o corpo-mala, que fardo! Pra lá, pra cá, onde a demanda requisitar, insetos.Responde com sorriso a tirania, chora e cativa a dó de quem tem siso. Assim não expõe nem essência nem ciência atrás das mentiras-caráter, muito menos decência.

Desprezo social atinge de fachada. Escárnios, maledicências, compromissos falseados. A quem importa de tão alto? Demorei, um segundo me eternizou. Atrapalharam minha vida, minha sina, agora intrometendo também na morte. Quem ama, que sorte! Sorge, inábil! Selva traiçoeira da escuridão amaldiçoando a razão, não mais separada do corpo como pensavam na época de Aristóteles, regendo trato, sacrifício em vão. Nefasta regra da autoridade oprimindo e assujeitando os seres frágeis.

hipocrisia + autocracia = hipocracia

ミシェル さん: Estou numa área que era chamada de Psicologia social, mas no desenrolar se vê de tudo e até Organizacional. Quase uma máquina em curto-circuito.
Esse cid-10 e dtm-IV não são comigo. Por mim (e não só) todo mundo delira e todos tem uma dificuldade ou outra na cognição. Uns para isso outros para aquilo. Imperfeições na ciência médica q marcam traços de diferença na ciência do coração.
Beijim e inté.

jeudi 3 juin 2010

Crustáceo Humanizado - símbolo


 À beira da praia sem mar
A areia seca torrando
A próxima onda, o siri, a esperar
Gotas de sal, água, sonhando

Alucina miragem, satisfação
Reação fisiológica agrava-se
Procura memória, a ligação
Natureza arbitrária, escrava-se

Sensação de inquietude, mal-estar
Exígua água deslizante em rolo
Acode vontade, necessidade, logro

Preenche, nutrida, o presenciar
Alimenta, ingênua, doce pensar
Possível Maquiavel,  inevitável gozo


mardi 30 mars 2010


O que é a vida com a razão entre a morte e a Natureza?
Bifurcamos estradas rotineiras à revelia, remoendo destroços
Dissolvendo restos de percepção subsumidos no caos de sonhos
Visões, holocaustos, construindo algo a dar um nome, qual?
Energia que vem de graça e , sem ameaça, esvai-se, impia
A árvore, soberba, rígida, não sorri, não chora, continua ali
No que já não é, no nada da energia esvaziada do ínfimo mortal
Mais um, menos um, uma multidão de vivos, ao cubo de mortos
E um mundo sem O sentido, que se busca em vão,
 Às vezes em alegria de sensação, emoção;
Outras em trevas e escuridão
Pra que ligar o coração?

dimanche 21 mars 2010

Dor serena

A lágrima escorre seca, em pó fúnebre
Vai compilando as futuras cinzas

Mais alegre se deixassem lembranças, 
...tristezas, saudades

Porém flui discreta, ignotos restos
Vestígios do que emudeceu no coração

E secou aos fortes ventos da razão
... sem chão 
A semente não vingou, 
os males são prestos

Nem de perto se verá sua sombra
Nem gastos fará na alfombra

Mas seeu efeito é certo, 
... discreto, circunspecto

dimanche 28 février 2010

Drama cotidiano



Sinto os espectros à minha volta. Querem matar-me. Medo! Mal-estar!tremomm... tudo por dentro fica dolorido. Provocam formigamentos, pânico. Mamãe está em casa, mas noutro país. Não consigo atingi-la. Estou só em meu mundo. Todos a quilômetros de distância. O corpo apodrece. Preciso aprender a desligar-me dele. Porém é esse o desejo dos espíritos malévolos. Difícil suportar a ambigüidade. Estou a perder o eu. Invadem minha consciência e fazem-se passar pelo que antes era o eu. Grande medo!

Sensação fervorosa e quente do inferno recente. A alma ferve por baixo da terra úmida, por baixo da cidade, por baixo da dignidade. Queimam a face lânguida, os gestos morosos, a carne criminosa. Apodrecem os ossos preguiçosos, os cabelos orgulhosos, as unhas ríspidas. Perece o ser, germinando ardor, torpor, fedor, pavor. E o carniceiro espírito volta-se para ser altaneiro mentor, rei rasteiro da difusão da dor.

Há pouco sentei-me na janela como de costume, apreciando vagarosamente o pôr-do-sol fantástico – cinza, azul, laranja, amarelo e vermelho, doce e pacificador, saboreando um Chanceller, sentindo o suave gosto do tabaco e açúcares entre meus lábios e me esforçando para fazer círculos de fumaça. Malogro!

Quão difícil é a vida: apavorante, inexplicável, incalculável. Tanto medo... sofrer... medo de mim  mesma. Às vezes nem me reconheço sob minha pele, tamanha minha falta de controle sobre ela.

A hora de dormir chega e, junto, o desamparo. O receio de me entregar á inconsciência, a tristeza por constatar que mais um dia se passou e o tempo não espera; a agonia aumenta. Nem consigo rezar. Sinto-me distante da religião que me ensinaram. Ela não mais me propicia alívio reconfortante como o fazia antes. Não tenho a que me ligar. Nada prende meu interesse ou me propicia qualquer júbilo. As coisas não fazem sentido, apenas seguem seu rumo, transitoriamente... e eu, sem prumo, sou leveda pelo vento da desilusão e melancolia, com destino ao incerto.

Eu quero morrer porque não agüento a dor lancinante que sinto no peito e todas as vezes que alguém fala comigo sinto que explodirei. É ruim! Falta-me habilidade para viver. Por que isso acontece? Como as pessoas podem gostar de viver?

samedi 27 février 2010

Detalhes perceptíveis


Desprezível ser no cume de seu egoísmo particular, subjugando e menosprezando atitudes humanamente modestas e dispostas cooperativas. Grande tempestade egocêntrica e feiosa atacando friamente o humilde copo d’água descartável, cujo material nem dura o mais remoto júbilo.

Ostentação imperiosa da burrice transtornada que mexe na vista, remexe benquista, surfista na onda. Onda que leve meio veio e meio leve leve para outro meio. Couraça dura, impotente armadura.

Angústia aguda da solidão maior na experiência em cume do limite máximo de tensão. Anseio à tranqüilidade, menos perturbações no corpo e na mente, como o sono perfeito, sem traços de memória fixos, apenas o passar dos fenômenos, livremente soltos e compilados por ordem natural.

Terror noturno, pavor diurno, pânico constante, que não deixam meu espírito descansar em paz. Faltam motivos coerentes, consistentes, razoáveis que expliquem tal existência enganadora, sugadora de energia, ameaçadora. Se um dia a razão ao menos explicar a desrazão...

Silenciosas mágoas pelos erros não cometidos por outrem, que reviram e voltam sob a máscara da culpa de não se ser perfeita, gente lisonjeira. Repercussão do tal instinto competitivo, predador, fulminador, representante narcisista do individualismo capitalista, maratonista, corre corre seja o primeiro, o melhor, o Senhor, dominador, com viço e pudor.

Escalpelante dor de existir num meio rejeitante. Caí, não pude resistir. Sofro de novo por viver, nem tive o que escolher. Lançaram-me ao mundo, tão cruel, sinistro e infiel. E ainda procuro pontas por segurar, em tão liso, escorregadio e queimante abismo. Vida em fio, que só me causa arrepio. Sinto os demônios em minhas veias, circulando pelos meus membros e exigindo desgraças.

Espíritos ficaram a rir de mim, fazendo-me uma piada e impediram-me dormir. Somente na madrugada eles cansaram e me ensejaram faíscasde tranqüilidade. Então adormeci. Aleluia!