dimanche 19 juillet 2009

Uma ilusão intelectual



"lo más profundo, es la piel" Paul Valery



Procurando nos símbolos
A gênese primordial
Urde-se até algaravia
Explanando-se a mente cabal

Mas se viaja em círculos
Pois a corrente interpretativa
Se posta em capítulos
Revela-se repetitiva

Único núcleo consistente
Por nada faz atingir

E a mais longa profundidade
Então miúda ruga da superfície


jeudi 16 juillet 2009

Melancolia





Preciso agir, rápido. Não posso mais adiar. Cumpri minha missão: fiz com que a vida de todos ao meu redor não fosse fácil. Agora devo partir. Espero apenas os amigos ditarem-me como.

Não há de demorar. Eu sinto. Eu sei. Sei também que ninguém compreenderá. Mas assim foi sempre. Não fará diferença.

Desejo, de qualquer modo, que meus órgaos possiveis sejam doados e meu corpo sirva para pesquisa de medicamenntos, principalmente o cérebro, na esperança de contribuir com os próximos que experimentarem a inabilidade vital emocional a que fui acometida.

Que se possa saber mais!
Que se possa sofrer menos!
Irei em paz!

dimanche 28 juin 2009

A esquizoescritura


(des)retalhos

Em O livro por vir, percebe-se que "é possível que a humanidade um dia conheça tudo, os seres, as verdades e os mundos, mas haverá sempre uma obra de arte (talvez a arte na sua totalidade) que escapa a este conhecimento universal. Esse o privilégio da atividade artística: o que ela produz, frequentemente até um deus o deve ignorar".

Blanchot sobre Joubert e utopia : a meta seria desimpedir-se de todas as convenções que regram o pensamento para transformá-lo numa ação livre e libertadora, representada na escrita como prática e experimentação

Blanchot intenciona minar a literatura para livrá-la de suas idéias restritivas, visando uma escrita que sugere como sendo "fora do discurso, fora da linguagem" , o que chamei de Esquizoescritura, o título do post.


Questiona os conceitos Deus, do Eu, do Sujeito, da Verdade, do Uno, da própria idéia do Livro e da Obra, a tal ponto que essa escrita, antes mesmo de ter o Livro como meta, assinale seu próprio fim. Assim, nessa linha de pensamento, é possível que escrever exija o abandono de todos esses princípios, ou seja, o fim e também a conclusão de tudo o que garante a nossa cultura, não para voltar idilicamente atrás, mas, antes, para ir além, ou seja, até o limite, com o objetivo de tentar romper o círculo de todos os círculos: a totalidade dos conceitos que funda a história, nela se desenvolve e da qual ela é o desenvolvimento"

Diz Blanchot que
"escrever, então, passa a ser uma responsabilidade terrível. Invisivelmente, a escrita é convocada a desfazer o discurso no qual, por mais infelizes que nos acreditemos, mantemo-nos, nós que dele dispomos, confortavelmente instalados. Escrever, desse ponto de vista, é a maior violência que existe, pois transgride a Lei, toda lei e sua própria lei".

Uma prática surrealista, que provoca o desconhecido pelo acaso e pelo jogo, seja a referência mais imediata de Blanchot,

→ talvez algo de 'devir' como em Hegel

--> alcançar o objetivo da ampliação desses limites sem limites.

"Toda questão é determinada. Determinada, ela é esse próprio movimento pelo qual o indeterminado ainda se mantém na determinação da questão".
"A questão é movimento, a questão de tudo é totalidade de movimento e movimento de tudo".
Maurice Blanchot - A conversa infinita - Vol. 1 - A palavra plural.

Blanchot indica a necessidade de pensar a existência humana, libertando-a de jugos como o pensamento que se estrutura em idealizações unitárias, que necessariamente levam à discriminação do outro, do diferente. Com isso, reafirma a necessidade de convivermos com a diferença e a pluralidade para "talvez nada menos do que quebrar o jugo do deus e sair do círculo onde ele permanece fechado pelo fascínio da unidade", em busca de "uma palavra verdadeiramente plural".



mardi 9 juin 2009

O PRESENTE QUE VIVE EM MIM



"Às vezes começa-se a brincar de pensar e eis que inesperadamente o brinquedo é que começa a brincar conosco. Não é bom. É apenas frutífero."
(Clarice Lispector in Aprendendo a Viver)

Não invista em minhas fraquezas, elas podem adquirir poder e se desenvolverem , crescendo como uma bola de neve e esmagando o que há de potência criativa, ainda que excêntrica e de funcionamento peculiar, talvez codificado transcendendo a linguagem socialmente aceita e usualmente utilizada.

Nietzsche escreve a um amigo sobre suas impressões do livro Memórias do subsolo (Dostoiévski, 2000): “A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites”.

O frio da angústia dilacera o peito num outono mortífero de tremores inexoráveis, indigentes resquícios de vida nos intermédios de um acaso irrevogável da existência que se faz imposta e autocraticamente veemente, torturando arfantes suplícios de liberdade e energias condensadas, sincretizadas em fractrais mentais.

"Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal."
(ibid.)

A noite nefasta invade novamente meu recanto, 'urubserva-me' por entre as grades indesejadas do destino através da janela. Nunca dá paz e sossego. Vá-te embora, negra maligna! Deixa-me! Não preciso trevas externas quando o interior já se mostra por demais obscuro e sibilino. Ânsia por luz, calor, brilho interior e cristalino. O restante é totalmente dispensável. Sem embargo, hei de sucumbir... Soníferos, pra que vos quero?!

"Se o meu mundo não fosse humano, também haveria lugar para mim: eu seria uma mancha difusa de instintos, doçuras e ferocidades, uma trêmula irradiação de paz e luta...(...)Antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado."
(ibid.)

Pois eis meu mundo, o semi-humano. Sinto-me separada de tudo e todos por uma camada de cinco km de espessura de puro vácuo.

"Como se sabe, somente a morte é grátis. (...)nesses tempos de provação, restam duas perspectivas, vê-los todos juntos e morrer em liberdade."
(Freud. In "Psicanálise, Literatura e Estéticas de Subjetivação", org .Giovanna Partucci)

A sensibilidade inteligente talvez seja um dom, que pode ser atrofiado se desmotivado ou aperfeiçoado se praticado com dedicação, podendo chegar a constituir um coração inteligente, minha grande meta na vida. Sinto tanta angústia, sofrimento, exaustão, lágrimas ardentes de sangue escapam da alma a seu arrepio. Tremo a vigília e o agir a cada segundo. Dói, que é isto a acontecer? Pressão forte, contundente em sensação quase sólida e implacável sem defesas.

"Que o pensamento seja lançado como uma pedra por uma máquina de guerra "
(Deleuze)

Essa carne e osso e coisinhas mais me causa tanta estranheza. Eu poderia jurar que esse corpo não é meu. Mas de quem seria? Alguns transmitem paz e suavidade, outros estresse e correria, outros ainda alegria e energia; também há aqueles que, como eu, possuem a sensação de nada transmitir...

"Somos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro."
(Freud)

Uma vida é uma prisão, uma temporada para existir em apenas um corpo, com apenas um tipo de sangue, um só aniversário para cada ano, uma só família, apenas um cabelo, uma voz e não mais que uma impressão digital e uma ânsia de ser o que seria mas não é, de amar o que amaria mas não existe, de viver o que viveria e nunca acontece, uma ânsia infinita, de todo possível irrealizável, cuja extinção mataria tal vida. Vida é movimento. Sem insatisfação não se vive. Às vezes fico a observar uma criancinha pequena cuja naturalidade e desenvoltura dão a impressão de que conhece o mundo há milhões de anos. Onde foi que adquiriu tal familiaridade com esse espanto de mundo em que vivemos? Por onde esteve que decidiu aparecer há apenas cerca de dois anos? Por que esconde tanto o que sabe?

"Você me pede um conselho e atrevidamente eu dou o Grande Conselho:
- Seja você mesmo! Porque ou somos nós mesmos ou não somos coisa nenhuma. E para ser si mesmo é preciso um trabalho de mouro e uma vigilância incessante na defesa. Pois tudo conspira para que sejamos meros números, carneiros de vários rebanhos - os rebanhos políticos, religiosos, estéticos, - Há no mundo ódio à exceção e ser si mesmo é ser exceção."
(Monteiro Lobato)

Vida justa ou injusta? O que é justiça? Os tempos atuais mostram claramente o quanto é vão e nada inteligente pensar dessa maneira. Se não se funciona como gostariam é como se não se tivesse mais pernas, braços, cérebro, desejos... Como se não existisse e aí toca na ferida humana que jamais deve deixar de ser lembrada e (re)fletida a todo tempo, na eterna luta da minoria ousada contra a intolerância, a exploração, a alienação, o comodismo, o caos da ambígua civilização.



"Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agaixam até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim."

( Meu Mundo É Hoje - Paulinho da Viola)

dimanche 17 mai 2009

Eu?! Onde?!



"Ofuscante e colossal, com que rapidez o Sol nascente me mataria

Se eu não pudesse agora e sempre lançar o Sol de dentro de mim."

(Walt Whitman)

Confusa, assustada, flutuo

No fluxo deste enérgico ar.

O desalento do momento

Enfraquece minhas vértebras.


Sinto os vermes babarem.

De olho gordo,

Entrego as rédeas.

Porém temo o amparo.


Este que já até

Não convence, quase renego.

Dói, com força de touro e garra de tigre.


Minha ferida,

Inflamada no peito...

Invisível, mal-amada, que jeito?

mercredi 13 mai 2009

Ego fragilizado, no extremo da sensibilidade devido `as circunstâncias momentâneas


Calafrio pavoroso invade o peito, toma conta do sujeito, evoca sensações terríveis, lembranças indizíveis, com quem posso contar quando não consigo dizer o que sinto e tudo é tão só em mim, ninguém mais está passando por isso. Será algo pior possível? Sempre aprendi imitações, mas descobri que funcionam cada vez menos, sou tão diferente e distante diante um pavor com o qual tenho que me haver tão sozinha.

Queria ser um mosquito para que o trabalho gasto para existir fosse menor, os estragos menores, a cobrança fosse menor. Cada vez que vejo a luz hoje e o que talvez espera o tempo futuro, desejo pular a janela e voar para o Outro Mundo, a inconsciência. Mas receio ainda não passar a porta e ficar aleijada, sofrendo dor nesta mesma bosta de mundo.

Solidão no mais profundo sentido do termo. Tanta gente mexendo e vejo-me obrigada a roubar remédios para dormir para ver se o sono faz-me companhia. Só não sei o que ocorreu. Só seu que não dormi e fiz até o que não me lembro. Como se a vida não fosse minha. E agora tenho que pegá-la de volta, porque ninguém quer saber dela. O efeito divertido passa.

Náusea mundana dizendo o desprezo explosivo sentido, vivido, cuspido em terra do “esperto”, corrupto encoberto. Lixo vomitado com odor de fome, miséria, carência social, fundamental

Tocar é bom se é querido, ou vira tortura. Unir duas produções químicas divinas misturando as energias e produzindo algo novo, seja sensação, prazer, sentimento, visão, filho... Sem relação de toque fica muito autista e inumano, perde fala e significações variadas. Tocar o ar, o tempo, o espaço no que tem de imaginário, veleidade singela, contemplação... Tocar o ponto do limite, da dor, do desamparo é dispensável, dá muito medo.

Fantasia borbulhante, nível infanto – ainda não diz. Quisera quimera realizasse, que mera veleidade – ingenuidade. Tocaste o cerne do arrepio, do sensível inaudito, indizível. Mobiliza forças do Mistério, sente-se levado pelo inferno, caminha cego ao obscuro, imperceptível empuxo...

Separação transicional tida como permanente motiva desamparo infinito, embute caos de subalmas. Verdade dita e revista, qual é a referência do ponto de vista, dependente também é o sentido e significado das palavras expressas no momento dito da entrevista.

Inferno que sente é gente plangente colhendo migalhas, folguedos de palha. Espalha boatos, consensos, incenso. Granjeia goiaba e até beterraba. Na nuvem o céu dos pecados, tolhidos, vendidos, sofridos realces de real reação. Se lei fora feita, feita fora também a cadeia, e a cadeia de vícios aprisiona o tolo embargado, embriagado e barbado .

Brasil quer ordem e progresso, não quero ordem, nem rigidez, imposição, ditação; quero é organização, articulação, reflexão, muito longe de perfeição, mas muita movimentação em direção à evolução, com participação e determinação. Progresso contínuo é ilusão, regressões pertencem à trajetória de qualquer evolução que chegou à conclusão.

Abuso de poder, displicência profissional, língua maioral, orgulho delinqüente, nem enxerga o que está adjacente.

Confusão de identidades, de personalidades, regressão à fase oral, dependência e indiferenciação, abandonada à ilusão...

Correção? Nem tentativa. Desamparo ao lento desgosto do vão...

mardi 12 mai 2009

Trote


Sm.1. andadura natural das cavalgadas, entre o passo ordinário e o galope, e que se caracteriza pelas batidas regularmente espaçadas das patas.


Balança e dói dentes batem da pessoa, o traseiro tá duro e não pára de bater, cansa o bobo do trotar, e não o bichano, se o fosse mas é ginete do melhor. Cavalgando ao ar livre por sinal nem é tão livre nem tão sinal nem importa que sob as rédeas ainda cavalga e respira sente vento e seu talento.