lundi 27 avril 2009

Civilização?!

Das trevas uma odisséia
Pântanos de mundos mil

Visões ignotas, estagnantes

Tempestades de estímulos


Banhando da vida o rio
Bruscas, ternas, bruxas, serras
Fervor vindo do fundo do espírito
Suplicando que se faça jus à incerta andança


Caminho, caminho, caminho...

Frestas de liberdade
Angústia, responsabilidade

Igualdade, onde escondes?


Caminhante, no caminho, caminha

Tantos porvires, nem tantos de esperança

Demagogia dos governantes assaltando
geladeiras, saúde, moradias, conhecimentos

Agora tomam também viagens das férias de milhares
Para o luxo sem brilho de meras vaidades, vontades selvagens

~

mardi 14 avril 2009

Fora da Lei



Voando na incerteza do existir
Além da realidade, aquém do advir
Saía do corpo como se tivesse o direito
Subia o morro da solidão, o sujeito

Desdenhava perigos na alta melancolia
Chorando cantos de dor e magia
No céu de estranheza e torpeza
Dizia adeus à Felicidade, com tristeza

Assim terminava o passeio sem corpo
Um corpo inteiro, desconhecido, alheio
Do qual seria escravo até o suspiro derradeiro

Outros corpos interagiam com aquele
E o sujeito, indiferente, assistia a esse teatro
Do lado de dentro, com seu riso sarcástico em seu átrio

mercredi 18 mars 2009

hipocrisia na religião? => perda de credibilidade



o dia amanhece, o Sol tenta entrar
portas fechadas, que seja por frestas
eis que estou a me danar...
por ser mãe e amar?

julgada por homens em nome de Deus
desterrada de minha fé,
decepada no espírito
por ser mãe e mulher?

o que é ter um filho pra você, homem-deus?
grito e luto como dá
desobedeço a homens-deuses
pra dos males escolher o menor
e ao menos tentar estancar
a ferida nas entranhas de meu bem maior

que defeito horrível tem a mulher
decide deixar a alma aos diabos viventes
pra lutar pelo futuro do fruto de seu ventre
que já vive, sente; sente mais do que devia

os males impostos, a perdição duma instituição
e ainda há de esperar pelo milagre maior
da deusa mãe que nunca abandona

a deusa Esperança, mãe de qualquer criança
que cuide bem da mãe exilada no coração
pelo terrível pecado de amar tanto mais
que a razão do homem-deus pudesse suportar

jeudi 29 janvier 2009

arte de Artur Bispo do Rosário


Anseio pungente invade a alma

Falta insigne energiza o sangue

Atormenta um pouco o mistério ao léu

Fomenta tiradas sem alvo certo

Inconsciente, faz o favor de aparecer

Explica o fogo acometido ao espírito

Norteia o antro a vasculhar

Com cuidado para não desencaminhar

Ensina aonde se quer chegar

mercredi 28 janvier 2009

Manha




Sempre fica um vazio

O lugar marcado no cantinho

Congela tudo como frio

Ah se pudesse preencher o localzinho...


mardi 13 janvier 2009

Um poema maníaco





Ó meu estado de sã consciência
Peço brechas, largas, tigelas
Depósitos, propósitos, aquarelas
Manchados, Rorschados, pintados

Para expor não gaia ciência
Mas rodeios, lixados, ausência
Qualquer coerência, paciência
Se quer, difícil torna-se

Com assonâncias, saberes latentes
Livres, existentes, indomáveis
Indecifráveis, pretendentes
De único sentido corrente...
...imprudente


samedi 3 janvier 2009

Vozes




A solidão fala-me ao peito:
- Para nada serve tua voz e teu pensamento
Estás excluída de qualquer agrupamento
Pois para comunicação não tens o menor jeito

A tristeza assola-me com força:
- Não vales o pão que comes
Nem para ser menos mala te esforças
Que o peso de tua inutilidade te consuma

O medo faz tremer-me as pernas:
- Não tens como fugires de teu sofrimento
Vais perder-te em tuas próprias trevas
E sentir o valor de teu banimento