mercredi 18 mars 2009

hipocrisia na religião? => perda de credibilidade



o dia amanhece, o Sol tenta entrar
portas fechadas, que seja por frestas
eis que estou a me danar...
por ser mãe e amar?

julgada por homens em nome de Deus
desterrada de minha fé,
decepada no espírito
por ser mãe e mulher?

o que é ter um filho pra você, homem-deus?
grito e luto como dá
desobedeço a homens-deuses
pra dos males escolher o menor
e ao menos tentar estancar
a ferida nas entranhas de meu bem maior

que defeito horrível tem a mulher
decide deixar a alma aos diabos viventes
pra lutar pelo futuro do fruto de seu ventre
que já vive, sente; sente mais do que devia

os males impostos, a perdição duma instituição
e ainda há de esperar pelo milagre maior
da deusa mãe que nunca abandona

a deusa Esperança, mãe de qualquer criança
que cuide bem da mãe exilada no coração
pelo terrível pecado de amar tanto mais
que a razão do homem-deus pudesse suportar

jeudi 29 janvier 2009

arte de Artur Bispo do Rosário


Anseio pungente invade a alma

Falta insigne energiza o sangue

Atormenta um pouco o mistério ao léu

Fomenta tiradas sem alvo certo

Inconsciente, faz o favor de aparecer

Explica o fogo acometido ao espírito

Norteia o antro a vasculhar

Com cuidado para não desencaminhar

Ensina aonde se quer chegar

mercredi 28 janvier 2009

Manha




Sempre fica um vazio

O lugar marcado no cantinho

Congela tudo como frio

Ah se pudesse preencher o localzinho...


mardi 13 janvier 2009

Um poema maníaco





Ó meu estado de sã consciência
Peço brechas, largas, tigelas
Depósitos, propósitos, aquarelas
Manchados, Rorschados, pintados

Para expor não gaia ciência
Mas rodeios, lixados, ausência
Qualquer coerência, paciência
Se quer, difícil torna-se

Com assonâncias, saberes latentes
Livres, existentes, indomáveis
Indecifráveis, pretendentes
De único sentido corrente...
...imprudente


samedi 3 janvier 2009

Vozes




A solidão fala-me ao peito:
- Para nada serve tua voz e teu pensamento
Estás excluída de qualquer agrupamento
Pois para comunicação não tens o menor jeito

A tristeza assola-me com força:
- Não vales o pão que comes
Nem para ser menos mala te esforças
Que o peso de tua inutilidade te consuma

O medo faz tremer-me as pernas:
- Não tens como fugires de teu sofrimento
Vais perder-te em tuas próprias trevas
E sentir o valor de teu banimento

dimanche 21 décembre 2008

Do Lar


Quando eu era pequena, perguntei a meus pais, enquanto assistia ao Jornal Nacional:
- Qual a diferença entre dólar comercial, turístico e paralelo?
- Bom, filha, o dólar comercial só serve de referência para empresas que fazem operações com o exterior; já para os cidadãos comuns, como nós, é o valor do dólar turístico que utilizamos quando vamos viajar.
- Ué, e o dólar paralelo, para que serve?
- Esse é ilegal, filha, não se deve levar em consideração.
Fiquei encabulada:
- Se é ilegal, por que está no Jornal Nacional?
Meu pai, meio constrangido:
- Pois é, é porque há pessoas que burlam a lei para comprarem por um valor menor.
Com olhos de coruja, perguntei:
- E o que acontece com essas pessoas?
Papai, avermelhado, responde:
- Ora, não se pode burlar a lei. Se forem descobertos, serão punidos. E correm o risco de comprarem dólar falso.
Minha curiosidade aumentou:
- Dólar falso? Há como saber a diferença?
Papai:
- Claro! Há alguns detalhes que se pode identificar.
Eu, curiosíssima:
- Então por que não burlar a lei? Até está na televisão e todo mundo o faz.
Papai, já aborrecido:
- Ora, pare com isso! Lei é feita para se obedecer. Agora chega desse papo. Você entenderá um dia.
...
Agora entendo: lei é feita para os inimigos públicos. Precisam ver a cara de papai quando perguntei sobre o jogo do bicho e o que era "puta que o pariu". Mandou-me passear rapidinho...

samedi 20 décembre 2008

Eu sou diferente


Sei que sou diferente
Por vezes estranho meu coração
Leio, capricho e busco a razão
Perco-me quando te vejo, então

Meu amigo mais sensível, inteiro
Adorável jeitinho com olhar meigo
Pudera, um dia, eu ter a chance de te dizer
O quanto tua amizade me significa

Teu carinho gratuito, apaixonante
Cuidando desta dama, antes em pranto
Agora quase um ser pensante, desejante
Lindo amigo, como eu poderia te agradecer?

Se fizeste tudo tão perfeito
Que palavras estariam à altura do meu intento
O que posso eu dizer-te, que já não tenhas pressentido?
Ó Deus, cuida com muito amor do meu grande amigo!